Avançado Pentest e Ofensiva
Metodologia de pentest — recon, enum, exploit, post-exploit, report
Pentest (teste de invasão) é um processo estruturado e autorizado para identificar vulnerabilidades antes que atacantes reais o façam. Sem metodologia, o teste vira caçada aleatória — com metodologia, gera evidências rastreáveis e remediáveis.
Fase 1 — Reconhecimento (Recon)
Coleta de informações sobre o alvo antes de qualquer interação direta.
Recon passivo (sem tocar o alvo):
- WHOIS, DNS, certificados TLS (crt.sh)
- Shodan / Censys — ativos expostos na internet
- LinkedIn — tecnologias usadas, funcionários, fornecedores
- Google dorks — arquivos sensíveis indexados
Recon ativo (interação com o alvo):
- DNS enumeration: zone transfer, brute force de subdomínios
- Port scan inicial para mapear superfície
- Ping sweep para descoberta de hosts
Fase 2 — Enumeração (Enum)
Extração detalhada de informações dos serviços identificados.
Objetivos:
- Versões exatas de serviços (Apache 2.4.49, OpenSSH 7.2)
- Usuários válidos expostos (SMTP VRFY, SMB null session)
- Shares de rede, diretórios web, bancos de dados acessíveis
- Configurações padrão mantidas (senhas default, endpoints de admin)
Fase 3 — Exploração (Exploit)
Uso de vulnerabilidades encontradas para obter acesso. Sempre dentro do escopo autorizado.
Tipos de exploração:
- CVE público com exploit disponível
- Credencial fraca ou padrão
- Misconfiguration (ex: servidor com upload sem autenticação)
- Injeção (SQLi, command injection, SSTI)
Fluxo típico:
Vulnerabilidade identificada
→ pesquisa de exploit (ExploitDB, Metasploit, GitHub)
→ ajuste para o ambiente alvo
→ execução controlada
→ confirmação de acesso
Fase 4 — Pós-Exploração (Post-Exploit)
Simulação do que um atacante real faria após o acesso inicial.
Atividades pós-exploração:
- Escalação de privilégios (local → root/SYSTEM)
- Persistência: cron job, serviço, chave SSH
- Coleta de credenciais: dump de hashes, senhas em arquivo
- Pivoting: usar host comprometido como trampolim para redes internas
- Exfiltração simulada: demonstrar acesso a dados sensíveis
- Limpeza de rastros (em pentest real, log de tudo antes de limpar)
Fase 5 — Relatório (Report)
A fase mais importante para o cliente. Sem relatório, o pentest não tem valor.
Estrutura mínima:
1. Sumário executivo — risco geral em linguagem de negócio
2. Escopo e metodologia
3. Vulnerabilidades — por severidade (Crítico → Info)
- Descrição, evidência (screenshot/log), CVSS, reprodução passo a passo
4. Recomendações de remediação — concretas e priorizadas
5. Conclusão e próximos passos
Tipos de engajamento
Black box: pentester não recebe informação prévia — simula atacante externo
Grey box: recebe credenciais ou diagrama parcial — simula insider ou phishing bem-sucedido
White box: acesso total ao código, infra, credenciais — cobertura máxima, menor surpresa
Checklist de escopo (antes de começar)
[ ] Rules of Engagement assinadas
[ ] IPs e domínios autorizados listados
[ ] Janela de tempo definida
[ ] Contato de emergência do cliente
[ ] O que é proibido (ex: DoS, produção)
[ ] Onde armazenar evidências
Metodologia não é burocracia — é o que separa pentest profissional de invasão ilegal.