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VPN e IPSec — túneis, autenticação e casos de uso
Uma VPN (Virtual Private Network) cria um túnel criptografado entre dois pontos sobre uma rede pública, protegendo o tráfego de interceptação e modificação. É uma ferramenta essencial para acesso remoto seguro e conexão entre filiais.
O problema que a VPN resolve
Sem VPN:
Laptop remoto → Internet (tráfego exposto) → Servidor corporativo
Com VPN:
Laptop remoto → [Túnel criptografado] → Servidor VPN → Rede corporativa
Tráfego visível para terceiros: apenas o IP do servidor VPN + dados cifrados
Tipos de VPN
Site-to-Site: conecta duas redes inteiras (ex: matriz ↔ filial). Sempre ativa.
Rede 10.0.1.0/24 ←→ [IPSec túnel] ←→ Rede 10.0.2.0/24
Remote Access: conecta um dispositivo individual à rede corporativa. Ativa por demanda.
Laptop do funcionário ←→ [OpenVPN/WireGuard] ←→ Gateway VPN corporativo
IPSec — protocolo de tunelamento
IPSec opera na camada 3 e usa dois modos:
Modo Transporte: criptografa apenas o payload IP (cabeçalho original preservado)
Modo Túnel: criptografa o pacote IP inteiro + novo cabeçalho IP externo
→ usado em VPNs site-to-site
Componentes do IPSec
AH (Authentication Header) → integridade + autenticação (sem criptografia)
ESP (Encapsulating Security Payload) → criptografia + integridade
IKE (Internet Key Exchange) → negociação de chaves e parâmetros (ISAKMP/IKEv2)
Fases do IPSec IKEv2
Fase 1 — IKE SA:
Negocia algoritmos (AES-256, SHA-256, DH grupo 14+)
Autentica os peers (certificado X.509 ou PSK)
Estabelece canal seguro para fase 2
Fase 2 — Child SA (IPSec SA):
Negocia parâmetros do túnel de dados
Chaves derivadas via PFS (Perfect Forward Secrecy)
Tráfego real começa a fluir
OpenVPN vs WireGuard vs IPSec
Protocolo | Camada | Velocidade | Complexidade | Uso típico
------------|--------|------------|--------------|------------
IPSec/IKEv2 | 3 | Alta | Alta | Site-to-site, móvel
OpenVPN | 4 | Média | Média | Acesso remoto
WireGuard | 3 | Muito alta | Baixa | Moderno, mobile
Configuração básica WireGuard (servidor)
# /etc/wireguard/wg0.conf — ambiente de lab
[Interface]
Address = 10.8.0.1/24
ListenPort = 51820
PrivateKey = <chave-privada-do-servidor>
[Peer]
PublicKey = <chave-publica-do-cliente>
AllowedIPs = 10.8.0.2/32
# Ativar interface
wg-quick up wg0
# Verificar status
wg show
Riscos e boas práticas
Riscos:
- PSK (Pre-Shared Key) fraco → brute force offline
- VPN split tunnel mal configurado → tráfego sensível não passa pelo túnel
- Algoritmos fracos (DES, MD5, DH grupo 1/2) → vulnerável a quebra
Boas práticas:
✓ Usar certificados X.509 em vez de PSK
✓ Algoritmos modernos: AES-256-GCM, SHA-256+, DH grupo 14+
✓ Habilitar PFS (Perfect Forward Secrecy)
✓ Autenticação multifator (MFA) no acesso VPN
✓ Monitorar logs de conexão (horário, IP, duração)
✓ Revogar certificados de funcionários desligados imediatamente
Split tunnel vs Full tunnel
Full tunnel: TODO o tráfego passa pela VPN → controle total, mas sobrecarrega gateway
Split tunnel: Só tráfego corporativo vai pela VPN → mais eficiente, mas tráfego pessoal não é protegido
Para ambientes corporativos sensíveis, prefira full tunnel com inspeção no gateway.